segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Agulha, Sangue e Soro.


Como decidi escrever abertamente, pensei: poxa, porque não aqui? Acontece, que ‘aqui’, é o hospital. Mas ok. O fato é que estou com muita dor, e não consigo ficar quieta! Estou em uma cadeira azul dura, e tem uma menininha chamada Karen que não fica quieta. A garotinha quer água toda hora, mesmo sabendo que a água está quente. Decidi mudar de cadeira e estou do lado da porta, que quando é aberta me lembra que as pessoas na rua estão derretendo. Tem um senhor do meu lado apanhando pra abrir o pacote de bala, e eu me ofereci pra ajudar, porque estava me irritando. Finalmente o médico me chamou, e ele é meio cego! A mãe da minha amiguinha inquieta Karen ainda me solta “cuidado, parece que ele nem vê bem rs”. Após ser informada que tenho que fazer xixi nesse potinho micro, lembro que eu estou aqui exatamente por não fazer xixi! Engraçado, não é? É ai que as enfermeiras decidiram por soro na minha veia, tirarem sangue e descobrirem que eu choro quando eu vejo agulha! Elas ficaram rindo de mim, imaginem quando eu contei que não consegui mirar o potinho do xixi! Passando essa parte e após finalmente ter feito o xixi e quase tendo me matado com o tubo do soro enfiado no braço etc, sou obrigada a ficar segurando meu pote quente de xixi, com todas as pessoas olhando e eu chorando ainda por causa da agulha.
Após terminada minha crise de choro, mandam eu sentar em uma cadeira mais confortável, onde ainda morrendo de dor, não decido se estou dormindo ou acordada. E ai, me entra um menino. O menino não deixava ninguém quieto, e até começou a imitar zumbis! Sem contar que na sala do lado, estavam serrando a porta nova. Juro que eu desejei profundamente que levassem o menino e trouxessem a Karen, que nessa hora, eu já ouvia gritando porque a água (QUENTE) já havia acabado.
Dormi. Acordei com policiais tentando acalmar uma mulher que gritava demais, e explicava que o filho (que brincava com o imitador de zumbis) tinha trombado na porta, e que precisava dar ponto na cabeça mas que ainda não havia sido atendido. Quando o menino passou correndo, percebi que ele tinha um falha de cabelo, que tinha muito sangue. Desejei que a minha amiguinha Karen e sua água quente lavassem a cabeça dele.
Descobri que precisava fazer xixi, levantei e quase cai devido à tontura. Com muito trabalho, tirei o soro do ferro, sem mexer o braço com medo de que a agulha ficasse enfiada em mim pro resto da vida, e fui cambaleando até o banheiro. Não consegui fazer xixi e voltei desanimada pra cama. Fiquei desesperada quando notei que além do soro, havia sangue no caninho, e comecei a achar que ia morrer. A enfermeira me mandou ficar quieta, pois o imitador de zumbi tinha dormido, e ai eu fiquei vendo a TV. Fui acordada pelo meu vô, e comecei a chorar quando a enfermeira anunciou que tiraria a agulha pra eu ir embora. Quando me viu chorando, ninguém entendeu. Agora tenho dois braços roxos, dor nas costas, tontura e fome! Por favor amigo, chorei de dor da agulha e nem me deram uma bolachinha pra comer! E ainda, graças ao meu vô, os doentes me chamaram de Pamonha, e só porque eu chorei um pouquinho.Mas ai, precisei tirar mais sangue! Pois o resultado ficou comprometido e blabla. Chorei mais ainda, porque a enfermeira já tinha tirado a agulha de mim, e ai mais um furo. Mas, antes do furo, sentei na cadeira boa, e fiquei lá olhando para os homens que estavam serrando portas, e esqueceram de mim! Irritada pela demora, fui perguntar se demoraria pra tirar mais sangue, e a enfermeira disse que tinha esquecido! Pensou se eu tivesse dormido, ou sei la o que? Acontece que me arrependi, pois ela disse "Ó querida, deita aqui na cama que eu já tiro. Não vai chorar mais, ta bom mocinha?" Pena que ela não viu que causou uma catástrofe na minha vida, porque o bonitinho que estava fazendo estágio, pra quem eu jogava todo o meu charme sexy de doente, ficou rindo de mim.  Me entendem, né? Acho que só o cheiro do hospital me faz mal. Acho que o unico bem era meu amigo imitador de Zumbi, que eu nunca mais vou ver :\ E o pior, saindo do hospital meio tonta, passou um super macho com oculos de sol pra noite, ouvindo Catra. Estilo jogador de futebol, me dando vontade de vomitar. Espero ficar um bom tempo sem hospital, porque isso vale por muito, e ficarei dolorida nos braços, onde todo mundo, de algum jeito, vai dar um jeito de esbarrar. 

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